O equilíbrio corporal depende da integração de diversos sistemas — vestibular, visual e proprioceptivo — que atuam em conjunto para manter a estabilidade contra a ação da gravidade. Quando esse sistema é afetado, sintomas como tontura, vertigem, desequilíbrio, náuseas e sensação de flutuação podem comprometer significativamente a qualidade de vida do paciente.
A Reabilitação Labiríntica e Vestibular, também chamada de Fisioterapia Vestibular, é uma abordagem terapêutica desenvolvida a partir da década de 1940, com os exercícios criados por Cawthorne e Cooksey, e que hoje conta com nível de evidência científica B, acelerando a compensação vestibular quando iniciada precocemente. Ao longo das décadas, a técnica evoluiu de um protocolo genérico para uma abordagem especializada, com condutas específicas para cada tipo de distúrbio vestibular.
O tratamento consiste em exercícios personalizados de estimulação vestibular, que promovem a habituação, adaptação e substituição sensorial do sistema do equilíbrio, favorecendo os mecanismos naturais de compensação central. Diferentemente dos medicamentos, trata-se de uma opção terapêutica prática, segura, não invasiva e sem os efeitos colaterais comuns aos fármacos.
O plano terapêutico é individualizado e pode incluir:
A Reabilitação Labiríntica e Vestibular está indicada para condições como:
A eficácia da reabilitação vestibular é sustentada por diversos estudos clínicos. Há evidências moderadas a fortes, baseadas em ensaios clínicos randomizados de alta qualidade, de que o método é seguro e eficaz para o tratamento da disfunção vestibular periférica unilateral.
Em pacientes idosos com tontura não rotatória, o tratamento aumenta a confiança para permanecer em pé e reduz a intensidade dos sintomas. Já em crianças com hipofunção vestibular bilateral ou arreflexia, estudos controlados demonstram bons resultados na melhora do equilíbrio, no desenvolvimento motor e na estabilidade do olhar.
No caso específico da VPPB, as manobras de reposicionamento canalicular apresentam alto índice de eficácia, baixo custo e efeitos colaterais praticamente insignificantes, melhorando de forma considerável a qualidade de vida do paciente.
A Reabilitação Labiríntica e Vestibular pode ser realizada em conjunto com uso de medicamentos, em fase aguda, modificações dos hábitos de vida e orientação alimentar, potencializando os resultados no controle dos sintomas e na recuperação funcional do paciente.
Dra. Mariana Cauchioli
CREFITO/3:91154-F
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